
Hoje pude conferir California Schemin’, exibido no Espaço Petrobrás de Cinema, localizado na Rua Augusta, próximo ao Conjunto Nacional, um lugar icônico da Avenida Paulista, em São Paulo, uma região que concentra diversos cinemas.
Cheguei, peguei um cartão para a votação – que daria a nota ao filme no final – e entrei! Sentei na primeira fileira, algo que não costumo fazer em sessões normais, nas quais prefiro ver tudo da última. No entanto, hoje, eu quis ver todos os detalhes, para que nada passasse despercebido aos meus olhos atentos.
(Sem Spoilers)
California Schemin’ me surpreendeu de uma forma que eu não imaginava. Acompanhe meu raciocínio inicial, que era bastante inocente: o filme trata, segundo o próprio James disse em tantas entrevistas, de uma história real sobre uma dupla de rappers escoceses que se passou por nativos de Los Angeles para entrar no mercado musical do Hip Hop.
O cenário americano tem tanta influência e importância nesse estilo musical que o meu questionamento inicial era: para nós, no Brasil, a cultura da Escócia já é pouco divulgada (e o que é divulgado, muitas vezes é mal explorado, exceto por algumas obras como Coração Valente ou Outlander, que focam em fatos históricos). Portanto, a história deste filme, na minha cabeça, poderia ser algo distante, difícil de entender em suas entrelinhas, piadas, referências e detalhes que não temos acesso e contato fácil e constante por aqui, no Brasil. No fim, uma das vertentes do filme trata exatamente sobre isso, me mostrando que esse era um pensamento infundado, pois eu estava completamente enganada!

O filme é sobre os amigos Gavin Bain e Billy Boys, amantes de hip hop, que buscavam uma chance de mostrar suas músicas. Contudo, por terem um forte sotaque escocês, de Dundee, viram as portas se fecharem. Tiveram, então, a ideia de se passar por americanos, treinando para perder seus sotaques e soarem como se tivessem nascido em Los Angeles. Após uma oportunidade controversa em Londres, surge um convite para uma reunião com um produtor executivo da indústria musical e BOOMM, o sucesso veio! Silibil N’ Brains eram uma febre!
Mas, da mesma forma que ele chegou (e com ele, muitas coisas vieram junto), muitas consequências de decisões equivocadas vieram junto, e lidar com tantas mentiras começou a se tornar inviável para os dois, mas, principalmente para Brains (Gavin).
California Schemin’ é bem dirigido, bem atuado, bem produzido e bem editado, e isso não está atrelado a grandes efeitos especiais, algo a se exaltar nos dias atuais. As cenas começam e terminam nas horas certas; o roteiro é redondo, muito bem feito, não tem “barriga”, ou seja, em momento algum senti um texto arrastado ou falho. Tudo segue um fluxo muito fluido nos diálogos e nas sequências.
Mesmo nos momentos de tensão, quando escolhas erradas têm consequências que chegam antes do que se planeja, o filme ainda é leve. Ele instiga o público a querer ver o desfecho dos personagens. Em um momento, você se vê rendida pela batida do rap dos meninos (e olha que eu sou rockeira inveterada), e logo depois, está agoniada com a situação que eles têm pela frente.
As atuações de Samuel Bottomley e Seamus McLean Ross estão impecáveis, assim como Lucy Halliday. Meu destaque vai para Rebekah Murrell como Tessa, agente da dupla no filme e também para o Samuel, o papel dele me surpreendeu de uma forma que sai do cinema querendo buscar outros trabahos dele por aí.



Sobre o nosso James, além de atuar como o personagem Anthony, executivo de uma gravadora, ainda é diretor e Produtor Executivo real deste filme. Posso dizer com toda convicção que ele tem todos os motivos para comemorar essa estreia, pois fez um trabalho tão sério e bem realizado que eu só consigo sentir muito orgulho do profissional que ele é no nível mais alto que consigo. Apesar de todos os obstáculos que relatou em entrevistas anteriores, podemos dizer que ele os superou com sucesso, pois o filme é divertido e tem uma fluidez deliciosa de conferir.
Lamentei a ausência da equipe e do próprio James nas sessões da Mostra SP, por não poderem comparecer para contar sobre todo o processo de filmagem, dar a visão deles sobre essa história e poder ver a reação das pessoas na sala. Isso é um termômetro incrível e diz muito sobre como um filme impacta o público. Eu garanto que, na sala em que eu estava, houve risadas muito espontâneas e genuínas nas cenas cômicas e reações às cenas de tensão. Isso me deixou extremamente feliz, até mesmo com a sensação de que o filme foi curto, porque foi tão bom que eu realmente queria mais.


Me emocionei no final, por diversas cenas, independente da história. Nós, do James McAvoy Brasil e os fãs todos do James estamos acompanhando essas gravações há tantos meses, tantos registros, fotos, vídeos, e agora, ao ver tudo finalizado no contexto, sinceramente me colocou no meio de algumas cenas pensando: “É a foto deles carregando a cabine de telefone!” ou “Os vídeos de bastidores das gravações feitos no Barrowlands!”. Confesso que fiquei feliz porque, de alguma forma, modestamente me senti parte desse processo que começou há tanto tempo!
É um filme leve, que fala sobre escolhas e consequências, amizade, persistência e valores, mas que também nos mostra um pouco sobre ser escocês, sejam elas históricas (notei um gesto em uma cena que, para quem conhece um pouco da história Escócia versus Inglaterra, sabe o significado e como aparece perfeitamente no contexto) ou sobre sonhar morando no ‘gueto’, digamos assim (porque sim, lá também existem guetos). É, acima de tudo, um filme sobre ser quem você é, assumir isso, sua história, seu sotaque, sua cultura, não importa o que tente corrompê-lo contra isso.
Só quero deixar registrado aqui para quem ainda não viu, ou não está sabendo e puder ir conferir: vá! Não vai se arrepender (tem uma participação especial bem legal no final!!!!!!!!!!).
Que California Schemin’ conquiste o mundo! Eu dei 5/5 estrelas! E você? Conte-nos o que achou! 😉
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